DIABETES EM CÃES E GATOS: SAIBA COMO RECONHECER

DIABETES EM CÃES E GATOS: SAIBA COMO RECONHECER

A diabetes mellitus é uma doença de alta incidência não só na medicina humana, como também nos cães e gatos. Infelizmente, na maior parte das vezes é diagnosticada tardiamente, quando já há complicação do quadro, e em situações as vezes críticas para o animal de estimação.

A doença pode ser classificada em dois tipos, sendo que na diabetes tipo 1, há uma deficiência da produção de insulina pelo pâncreas, que deve ser suplementada através de aplicações injetáveis. Este tipo é mais comum em cães e gatos. Já a diabetes tipo 2 tem como característica uma resistência aos receptores das células do organismo a insulina, apesar desta ser produzida em quantidades adequadas, porém não metabolizada pelas células. Este tipo é muito raro em cães, mas pode aparecer em até 20 % dos gatos com a doença;

A diabetes pode surgir em animais de qualquer idade, sendo mais diagnosticada na faixa de 7 a 9 anos de idade. Algumas raças, como os Poodle, Schnauzer e Pinscher são mais propensas ao aparecimento de diabetes.

Caso suspeite que seu animal apresente um quadro de diabetes, o veterinário deve ser consultado.

Quais as sintomas da diabetes?

Os principais sintomas da diabetes são a poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. Ou seja, o animal apresenta sede e apetite exagerados, se alimentando e ingerindo mais água que o normal. O aumento do consumo de água leva a um aumento da frequência de micção (o animal urina com muito mais frequência que o habitual). Apesar do aumento do apetite, o animal apresenta perda de peso acentuada, o que deve chamar atenção do proprietário.

Quais as consequências da diabetes?

Como consequências secundárias, uma das mais relatadas é a catarata, que pode ser secundária a diabetes e geralmente acomete os dois olhos ao mesmo tempo. Nestes casos, é necessário acompanhamento com oftalmologista para avaliar a necessidade/possibilidade de cirurgia para sua correção.

Já uma consequência mais grave da diabetes pode ser um quadro conhecido como cetoacidose diabética, no qual o excesso de glicose (açúcar) não metabolizado pode levar a desidratação e formação de cetonas, que são substâncias tóxicas para o organismo, levando a quadros muito sérios com sintomas que incluem vômito, diarréia, prostração e alterações neurológicas (andar em círculos, convulsões, alterações comportamentais, etc). Neste caso, é uma condição de emergência, e o animal deve ser levado a um hospital de imediato, sob risco de vida.

Como é feito o diagnóstico de diabetes?

O diagnóstico de diabetes é feito com um exame simples de mensuração da glicemia, que pode ser feito em segundos pelo médico veterinário. Esta deve ser mensurada preferencialmente em jejum. Outros exames complementares podem ajudar a avaliar o grau da doença, como exames de Urina I (para avaliação da presença de glicose e cetonas na urina), e exame de dosagem de frutosamina (que reflete a média da glicemia apresentada pelo animal nas últimas duas a três semanas).

Em animais que já estejam em tratamento, indica-se a realização de uma curva glicêmica, para avaliar a resposta ao tratamento com insulina durante todo o seu período de duração, de forma a orientar quanto a ajuste de dosagem.

Qual o tratamento para a diabetes?

A diabetes tipo 1 é tratada com aplicação de insulina por via subcutânea, em dosagens calculadas pelo médico veterinário, devendo ser ajustada finamente ao longo de dias ou semanas para que se estabeleça uma dose adequada para o animal. O tipo de insulina a ser utilizado varia de acordo com a condição clínica do animal e deve ser determinado pelo veterinário (existem 3 tipos de insulina: a regular, de ação rápida, a de ação lenta, e a ultra lenta).

Na diabetes tipo 2, a aplicação de insulina nem sempre é necessária, e o quadro pode ser estabilizado com medicamentos hipoglicemiantes por via oral.

O restante do tratamento deve ser direcionado a sintomas (vômito, hidratação, estabilização de eletrólitos, controle de alterações neurológicas) e, por fim, o animal deve passar por uma reeducação alimentar, ajustando sua dieta para uma alimentação específica com baixos níveis de carboidrato, podendo esta ser uma ração já formulada com tais propósitos, ou uma dieta caseira balanceada de modo a atender as demandas específicas de um animal que apresenta o quadro de diabetes.

Caso suspeite que seu animal possa apresentar diabetes, consulte o médico veterinário. Em casos de doença não descompensada (em que o animal não esteja em cetoacidose), o diagnóstico e tratamento podem ser estabelecidos sem tirar seu animal de casa! Entre em contato conosco e agende uma consulta. 

Dr. Leandro Almeida Rui
Médico Veterinário
CRMV/SP 28.370
Atendimento em Domicílio

(11) 9 9959 8331