DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) EM CÃES E GATOS: UM MAL SILENCIOSO

DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) EM CÃES E GATOS: UM MAL SILENCIOSO

Grande parte dos proprietários de cães e gatos, e especialmente dos felinos, já ouviu falar a respeito, ou teve algum animalzinho com doença renal crônica. Visamos, através deste tópico, elucidar as principais questões relacionadas a esta doença, e orientar aos donos de cães e gatos sobre formas de diagnosticar precocemente e prolongar a vida de seu animal de estimação!

Sempre consulte o médico veterinário.

O que é a Doença Renal Crônica (DRC)?

A doença renal crônica caracteriza-se por um desgaste e perda dos néfrons ao longo dos anos. Os néfrons são pequenas unidades que compõe os rins, e são responsáveis pela filtração do sangue, eliminando toxinas e resíduos metabólicos do organismo. Devido a fatores genéticos predisponentes, podendo ser também relacionados a raça, ou simplesmente por desgate ao longo da vida do animal, estas subunidades vão deixando de funcionar ao longo do tempo, e os rins perdem a capacidade de filtrar adequadamente, levando ao acúmulo de toxinas e manifestação de sinais clínicos da doença renal.

Os sinais clínicos e a azotemia (elevação dos níveis de uréia e creatinina) normalmente ocorrem quando mais de 75 % dos néfrons já não estão mais funcionando adequadamente.

Quais os sinais clínicos da DRC?

Os principais sinais clínicos identificados em um animal com doença renal crônica são: aumento da frequência de micção (poliúria), aumento da ingestão de água (polidipsia), perda de peso, e em casos um pouco mais avançados, halitose (máu hálito causado pela uremia), vômito, diarreia e prostração.

A doença renal crônica pode ainda ter diversas consequências, como a presença de anemia por deficiência de eritropoietina (um dos precursores da formação de células vermelhas), hipertensão, desidratação, e hiperparatireoidismo secundário renal (por retenção de fósforo, podendo levar a perda de cálcio nos ossos e levando a depósito de cálcio em outros tecidos, formando mineralizações).

Como é feito o diagnóstico da DRC?

Na maioria (90 %) dos casos, o diagnóstico é feito tardiamente, quando já estão presentes os sinais clínicos, e o quadro de azotemia. Porém, hoje em dia é possível fazer um diagnóstico precoce da doença renal, já iniciando uma série de medidas para retardar a progressão da doença, e fornecer muito mais qualidade de vida para seu animal de estimação.

Dentre os exames que permitem o diagnóstico precoce da doença renal, estão:
– SDMA
– Relação proteína: creatinina urinária
– Urina I
– Ultrassonografia abdominal

Animais acima de 7 anos de idade devem sempre que possível realizar um check-up e serem investigados para indícios de alterações renais. A partir desta idade, é recomendável um check-up pelo menos a cada 6 meses.

Em estágios mais avançados da doença renal, além dos exames acima, o controle é feito principalmente pelos níveis de uréia e creatinina. Outros exames devem ser realizados de forma complementar de forma a investigar alterações eletrolíticas e uma possível anemia decorrente da doença renal. Os seguintes exames fazem parte de uma avaliação de rotina de um animal com doença renal:
– Hemograma, uréia, creatinina, SDMA
– Perfil eletrolítico: sódio, potássio, fósforo, cálcio, magnésio, cloretos
– Ultrassonografia abdominal, relação proteína:creatinina urinária, Urina I
– Pressão arterial e eletrocardiograma

Tratamento da Doença Renal

O tratamento da doença renal é tanto mais eficaz quanto antes for feito seu diagnóstico. Se o diagnóstico for realizado antes de haverem alterações clínicas e aumento da uréia e creatinina, o prognóstico de vida para o animal é muito bom. O diagnóstico realizado quando a doença se encontra mais avançada, porém, é de reservado a ruim.

O tratamento consiste principalmente em fluidoterapia para manutenção da hidratação, e desintoxicação do organismo pela uréia e creatinina não metabolizadas pelos rins. Outros fatores devem ser observados, porém, quando realizado o tratamento de um paciente com doença renal:

– Fluidoterapia endovenosa: para casos descompensados, em que o animal necessita de cuidados intensivos, e deve ser mantido internado recebendo fluidos endovenosos e medicamentos de suporte até que haja uma melhora clínica e laboratorial;

– Fluidoterapia subcutânea: tratamento de eleição para pacientes renais compensados, sendo realizada fluidoterapia rápida por via subcutânea, que é absorvida lentamente pelo animal. Pode ser realizada em casa, minimizando o estresse do animal em ser transportado direto para a clínica;

– Manejo nutricional: fundamental para o controle da doença renal, devendo ser fornecidos alimentos com níveis baixos de fósforo, e níveis ajustados de proteínas. Em casos de animais que não aceitam rações comerciais, pode ser necessária formulação de dieta por nutricionista, e até uso de sonda para alimentação;

– Tratamento sintomático: uso de medicamentos direcionados aos sinais clínicos, como náuseas e vômito, de modo a melhorar a condição clínica do animal e sua aceitação por alimento;

– Controle da anemia: em casos de deficiência de eritropoietina, esta deve ser suplementada;

– Equilíbrio eletrolítico: controle dos níveis de eletrólitos, principalmente de fósforo, que tende a estar bem aumentado em pacientes com doença renal.

– Hemodiálise: recurso mais avançado, que pode ser utilizado em casos extremos, sobretudo quando o animal não está mais responsivo a fluidoterapia;

– Tratamentos alternativos: fitoterápicos, suplementação de antioxidantes, aplicação de células-tronco, ozonioterapia: outras modalidades de tratamento que podem suplementar o tratamento convencional da doença renal.

Prevenção

Devido a predisposição genética e racial, é muito difícil impedir que um animal manifeste a DRC ao longo de sua vida. Porém, um alto consumo de água pode ser benéfico em retardar estas alterações. Certifique-se de que seu cão ou gato beba bastante água. Gatos, sobretudo, gostam muito de água corrente, podendo ser utilizada uma fonte para aumentar sua ingestão. Rações úmidas também são eficazes para aumentar o consumo de água de forma indireta, porém deve ser fornecida ração de boa qualidade.

Não deixe de realizar exames anuais em seu animal de estimação! Quanto antes for diagnosticada uma doença crônica, maiores as taxas de sucesso em seu tratamento, e maior a expectativa e qualidade de vida para seu melhor amigo!

Dr. Leandro Almeida Rui
Veterinário em Domicílio
CRMV/SP 28.370
Tel/Whats: (11) 9 9959 8331